Toda pesquisa deixa restos.
Algumas produzem conceitos;
Outras exigem uma tomada de posição.

Ao concluir minha dissertação de mestrado sobre o corpo geometral e o olhar, apresentei à banca o Manifesto do Corpo, escrito como a expressão de uma investigação que recusava separar pensamento e experiência. Hoje, anos depois, esse gesto retorna. As dez proposições reunidas neste novo manifesto não encerram a pesquisa; representam o estado atual de uma reflexão que continua a interrogar o corpo, a imagem e as formas de produção do sensível em nosso tempo.


O MANIFESTO DO CORPO

Proposição 1 - O rosto é o que humaniza o corpo.

Proposição 2 - Todo olhar é antropofágico, voyeur e colonizado.

Proposição 3 - O corpo é apenas corpo.

Proposição 4 - O olhar sabe que o corpo-humano-objeto é também ele sujeito.

Proposição 5 - Tenho um rosto, logo existo.

Proposição 6 - O corpo que não reconhece seu próprio rosto se estrutura no rosto alheio.

Proposição 7 - O corpo observado no estúdio fotográfico é Objeto a, pois transitório.

Proposição 8 - A imagem é o resultado da colisão entre o olhar, o desejo e o retorno do objeto observado.

Proposição 9 - O corpo, enquanto materialidade, é o elo da falta estrutural e da objetificação.

Proposição 10 - A morte do corpo organiza o olhar diante da sua finitude.

Proposição 11 - O outro é, em parte, o fracasso do corpo-próprio.

Proposição 12 - A estética do corpo normativo nega a diversidade dos corpos.

Fotografia em fundo escuro de um homem cobrindo o rosto com a mão
Fotografia em fundo escuro de um homem cobrindo o rosto com a mão